A partir deste final de semana adentramos no ciclo do Natal, celebrando o mistério pascal de Cristo em suas primeiras manifestações. Nele, fazemos memória da vinda salvífica do Senhor, da sua manifestação na fragilidade de nossa carne, na contingência e contradições de nossa história, enquanto aguardamos seu novo Natal, seu Reino, sua vinda definitiva e gloriosa no fim dos tempos.
O Tempo do Natal “é a comemoração do nascimento do Senhor, em que celebramos a ‘troca de dons entre o céu e a terra’, pedindo que possamos ‘participar da divindade daquele que uniu ao Pai a nossa humanidade’. Na Epifania, celebramos a manifestação de Jesus Cristo, Filho de Deus, ‘luz para iluminar todos os povos no caminho da salvação’”.
O Advento, com quatro semanas que antecedem o Natal, é um tempo que nos coloca em permanente expectativa da vinda de Deus e de seu Reino em nossa realidade.
O Advento abre-nos para o encontro com o Senhor que vem nos acontecimentos da vida, particularmente, no momento celebrativo, comemorando o Senhor que veio e fazendo-nos dar um passo à frente ao encontro do Senhor que virá glorioso, quando seu Reino estiver plenamente estabelecido entre nós.
Essa manifestação se dá em dois aspectos:
- a manifestação em nossa carne ao nascer, que constitui sua primeira vinda;
- e sua manifestação gloriosa, no fim dos tempos, sua segunda vinda.
Este duplo sentido determina a organização do Advento:
- o Advento escatológico, que vai do 1º domingo do Advento ao dia 16 de dezembro e cuja liturgia nos inflama para a vinda final de Cristo;
- e o Advento natalício, como preparação mais imediata para a festa do Natal, do dia 17 ao dia 24 de dezembro.
Os textos bíblicos propostos para os domingos deste tempo fazem emergir este duplo caráter do Advento. Assim, o primeiro domingo orienta para a vinda final, o segundo e o terceiro chamam atenção para a vinda cotidiana do Senhor; o quarto domingo prepara-nos para o nascimento de Cristo, ao mesmo tempo, apresentando seu sentido e sua história.
Recordamos no Advento a grande verdade de que nossa história, com todos os seus dramas, contradições, conquistas e retrocessos é o lugar da atuação salvífica de Deus, para quem nada é impossível: aterrar vales, aplainar montanhas, fazer florir desertos, fazer conviver leões e cordeiros; transformar armas de guerra em instrumentos de trabalho e cultivo de vida.
Dimensão Espiritual
Nesse período, conduzidos por grandes figuras bíblicas, como Isaías, João Batista, Maria, José, Isabel, Zacarias... modelos dos pobres que esperam e confiam nas promessas de Deus, entramos em ritmo mais intenso de espera e esperança...de alegre e cuidadosa vigilância, como uma noiva que se enfeita, ansiosa e feliz, para a chegada de seu amado, como um incansável vigia anseia pelo amanhecer, como a terra seca deseja ardentemente a chuva benfazeja para o germinar das sementes.
De modo semelhante ao que ocorreu com Maria, o Espírito nos engravida da Palavra, fazendo crescer em nós uma atitude de humilde expectativa, de fé comprometida com a força escondida da vida, na certeza de um novo parto da salvação em nosso tempo, ainda tão marcado por decepções, desesperanças e incertezas.
A mística do Advento nos move também a cultivar uma atitude nova diante da realidade humana e do mundo, intensifica nosso desejo de felicidade plena, de relações fraternas verdadeiras e duradouras, e fortalece nossa vocação de testemunhas da esperança, superando todo o pessimismo e desencanto que nos possam abater.
Neste tempo, em que a “religião” do mercado faz das festas natalinas, o grande sacramento do lucro, somos convidados a proclamar, profeticamente, que o Senhor está chegando como libertador.
Seus sinais se manifestam diariamente, nas lutas dos pobres e de todos os que com eles se fazem solidários na busca de melhores condições de vida, de dignidade humana, de paz universal e de preservação da natureza.
Toda a celebração cristã é uma contínua vinda do Senhor à nossa vida pessoal, à nossa comunidade e à nossa história. Ele vem ao nosso encontro no presente e no futuro, como veio no passado.
Ele é peregrino fiel na grande peregrinação que fazemos rumo à casa do Pai. Ele é o Emanuel, o Deus-conosco com quem descobrimos sempre de novo quem somos, o que queremos e para onde vamos.
ElementosSimbólicose rituais
Alguns símbolos, gestos e ações simbólico-rituais expressam intensamente a verdade dessa espera em nossas celebrações e este tempo forte.
A Novena de Natal, feita em grupos, há anos realizada em todo o Brasil, é uma maneira de intensificar a espera e alimentar a esperança da libertação com cantos, orações, meditação da Palavra, gestos de solidariedade e compromisso com os mais pobres, montagem do presépio e momentos de confraternização.
O Presépio. O presépio é uma montagem com peças, que faz referência ao momento do nascimento de Jesus Cristo. Com o menino Jesus na manjedoura ao centro, o presépio apresenta o local e os personagens bíblicos que estavam presentes neste importante momento cristão.De acordo com fontes históricas, o primeiro presépio foi montado por São Francisco de Assis no Natal de 1223. Sua ideia era montar o presépio para explicar as pessoas mais simples o significado e como foi o nascimento de Jesus Cristo.
Que descobrindo o sentido e espiritualidade do tempo do advento possamos vivenciá-lo melhor e assim estarmos preparados para fazer de nosso coração uma manjedoura aprazível para o Menino Jesus nascer. Um profundo e rico tempo do advento para todos.
Pároco da paróquia Nossa Senhora da Glória - Tupi Paulista
Fonte: Roteiros Homiléticos do Tempo do Advento e Natal – Edições CNBB
Pároco da paróquia Nossa Senhora da Glória - Tupi Paulista
Fonte: Roteiros Homiléticos do Tempo do Advento e Natal – Edições CNBB
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