Luana Don foi presa em Ilha Bela, SP (Foto: Reprodução)
Jornalista, modelo e advogada está presa preventivamente em cadeia de delegacia da capital sob acusação de envolvimento com facção. 'Musa do crime' deverá seguir para Tupi Paulista.
Por G1 SP, São Paulo
A Justiça autorizou a transferência da jornalista, advogada e modelo Luana de Almeida Domingos, de 32 anos, que está presa desde terça-feira (4) na cadeia de uma delegacia de São Paulo, para a Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior paulista. A mulher, que usava o nome Luana Don quando foi repórter de TV, é acusada de atuar como advogada participando da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
A decisão de transferir a presa, que está sendo chamada de ‘musa do crime’ por policiais, foi divulgada na quarta-feira (5) no site do Tribunal de Justiça (TJ) do estado. Apesar da autorização, até as 10h desta quinta-feira (6) Luana continuava detida na carceragem feminina do 89º Distrito Policial (DP), Portal do Morumbi, Zona Sul da capital.
“Aguardamos os policiais daquela região do interior do estado virem buscar a moça”, disse nesta manhã ao G1 o delegado Olivio Gomes Lyra, que apesar de ser titular do 37º DP, Campo Limpo, está respondendo temporariamente pelo 89º DP. “Acreditamos que a transferência dela poderá ocorrer ainda nesta quinta”.
“Ela terá de ser transferida porque o caso é investigado aqui no interior”, disse na quarta o promotor Lincoln Gakiya, do Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público (MP) de Presidente Prudente.
A reportagem não conseguiu localizar nesta manhã os advogados da presa para comentar o assunto. Apesar disso, a reportagem apurou que sua defesa irá alegar que sua cliente é inocente porque não sabia que advogava para o PCC.
Organização criminosa
A Justiça determinou que Luana responda presa preventivamente ao processo no qual é ré pelo crime de participar de organização criminosa. Ela ainda terá de ser interrogada para o juiz decidir se a submeterá a julgamento pelo crime.
Luana é uma das 54 pessoas investigadas pelo MP sob a acusação de envolvimento com as atividades criminosas do PCC. Ele e mais 38 advogados foram identificados como integrantes da ‘sintonia dos gravatas, como a facção chamava o grupo que recebia dinheiro ilícito vindo do tráfico de drogas e assaltos para executar ordens da quadrilha.
Segundo a acusação, atuando como ‘pombos-correio’, os advogados tinham a missão de levar informações para os membros presos do PCC e os integrantes da facção que estão nas ruas. Entre as tarefas estavam repassar orientações a respeito da venda de entorpecentes e até planos de ataques a agentes de segurança.
Em novembro de 2016 o MP deflagrou a Operação Ethos para prender os investigados. Luana fugiu e passou a ser procurada, figurando na lista de mais procurados do site da Polícia Civil de São Paulo. Foragida há oito meses, ela foi presa na última terça numa ação conjunta entre policiais do Rio e paulistas. Estava escondida na casa de um parente em Ilhabela, litoral do estado.
Antes de ser presa, Luana era famosa por ser repórter do programa Superpop (de 2012 a 2015), da RedeTV!, apresentado por Luciana Gimenez.